Deolinda não surge hoje como novidade para ninguém, eles é presença em festas académicas, nos maiores festivais de verão, ou num par de locais mais alternativos, passagens pelo estrangeiro e o pavilhão multiusos de Viseu.
O reencontro foi no passado Domingo, mas para qualquer reencontro conta antes a primeira impressão, e essa aconteceu à quase um ano atrás, dois dias depois do lançamento do disco de estreia que é actualmente dupla platina -
Canção ao Lado. Os Deolinda vinham até Viseu para uma pequena apresentação do seu álbum no espaço da Fnac, propositadamente para os ver estava eu, que os vinha escutando fazia um ano, e outro rapaz, o resto foi a alegria da banda que juntou um grupo de cerca de 30 pessoas que aplaudia intrigado o final de cada tema "Quem são estes? Ela têm uma grande voz, são muito bons." No final do espectáculo Ana, Pedro, Zé e Luís conversavam acanhados sobre a performance e a viagem, quis felicitá-los pela música. A conversa pegou e acabei com o diário gráfico assinado em elogios e um convite para os visitar na grande estreia em Lisboa que acabaria por não puder aceitar.
Os meses foram-se acumulando e os Deolinda, como se previa mas não acreditava que fosse possível, cresceram para agradar às mais variadas facetas de Portugal e até do estrangeiro. Cá por casa, continuavam os temas em
loop pelo quarto, até que só no Domingo passado tive a oportunidade de os rever.
E que crescidos que estão. Não o digo literalmente, a vocalista Ana Bacalhau continua pequenina e querida, mas a energia que libertam é ainda maior e vê-los esgotar um pavilhão inteiro é obra. Encheram-me de orgulho. Depois começou o espectáculo e encheram-me de música e alegria e nostalgia e amor e orgulho de novo. Cantei todos os temas que conhecia e surpreenderam-me com alguns novos e uma cover de
É ou não é - de Amália Rodrigues - que não fica nada a dever ao original.
Depois de um encore em êxtase, levantando todo pavilhão, que já dançava, aplaudia, cantava, lá digeri um pouco do que se viveu com os cotovelos assentes sobre as grades que separavam o espaço público do
backstage. Ao lado do palco preparava-se uma mesa com quatro cadeiras para uma sessão de autógrafos, ao meu lado meia centena de pessoas aguardava a chegada da banda. Eu não procurava autógrafos, mas antes dizer-lhes que sinto orgulho do que fazem. Esperei o tempo necessário de algumas assinaturas para, por fim, poder dizer-lhe que é bom tê-los de volta a Viseu. Melhor ainda foi sabê-los recordados do último encontro, "És o rapaz dos desenhos, o Luís, não é?", "Sou sim". Pelo que se impôs que desta vez fossem eles os meninos dos desenhos. O resultado está aí em cima, esboçado pelos quatro, um pouco atrapalhados com o desafio, (podem clicar para ampliar e ver completo).
Os
Deolinda são já apelidados como grupo do novo fado, mais energéticos mas mantendo as raízes conseguem músicas extraordinárias. No entanto o que quero salientar neste grupo é a simplicidade com que vivem todo o sucesso que por mérito próprio alcançaram e a humildade com que o aceitam. Parabéns, meninos e menina, continuem a brindar-nos com o vosso fado, que
o fado não é mau, pois não!